Vasectomia - Esterilização Masculina
Vasectomia
Vasectomia, esterilização masculina definitiva Vasectomia, ao pé da letra, significa "retirar"(ectomia) o conduto deferente(vas deferens, em latim). Os espermatozóides, as células reprodutoras masculinas, são produzidos nos testículos, armazenados e amadurecidos nos epidídimos, estruturas anexas aos testículos e conduzidos até a uretra(canal de emissão da urina e sêmen) pelos condutos deferentes, compridos tubos que nascem nos epidídimos, e terminam(desembocam) na uretra. A região anatômica onde se aborda os condutos deferentes com menos trabalho e mais precisão é o escroto(saco escrotal), onde são superficiais e facilmente palpados sob a pele. Ora, se os condutos que transportam os espermatozóides forem interrompidos pela realização da vasectomia, estes não chegarão à uretra e o esperma ejaculado não conterá as células reprodutoras masculinas. O fluido ejaculado será desprovido de espermatozóides mas continuará contendo as secreções das vesículas seminais, próstata e uretra, razão pela qual nem o homem nem sua parceira notarão qualquer diferença no fluido ejaculado. Volume, consistência, cheiro e até o sabor(para os apreciadores), permanecerão inalterados. A diferença só poderá ser notada se o fluido for examinado ao microscópio(espermograma), ocasião em que o observador notará ausência dos espermatozóides, caracterizando assim a esterilidade. Não há mudanças na sensação do orgasmo ou no apetite sexual. Não causa qualquer alteração na função erétil(potência sexual) ou no tempo para se atingir o orgasmo, pois a cirurgia não aborda nenhuma estrutura responsável por ereção peniana ou ejaculação. Após a operação, os espermatozóides continuarão sendo normalmente produzidos pelos testículos. Não tendo como passar, pois os condutos deferentes estarão cirurgicamente obstruídos, são absorvidos ou destruídos pelo organismo. Não há relação entre vasectomia e doenças da próstata. O homem vasectomizado, em geral, sente-se mais livre e relaxado pela ausência de preocupação com o controle de natalidade. Porém, não o desobriga do uso do preservativo para evitar doenças sexualmente transmissíveis como AIDS, HPV ou gonorréia, por exemplo. Os candidatos à vasectomia deverão preencher alguns requisitos: união estável, mais de 35 anos de idade e, pelo menos, 2 filhos com mais de um ano de idade. Tais requisitos são contestados por alguns, mas são os mais empregados. Os pacientes deverão preencher um termo de autorização e o médico notificará a cirurgia às autoridades de saúde. A vasectomia custa muito menos que uma cirurgia de ligadura de trompas e, a longo prazo, também é mais econômica que qualquer outro método contraceptivo. Portanto, a vasectomia é um método cirúrgico de esterilização masculina definitiva, onde se interrompe a passagem dos espermatozóides pelos condutos deferentes. O modo mais simples de realizá-la é através de duas pequenas incisões no escroto, sob anestesia local, onde se isola e amarra os condutos deferentes, impedindo-se a condução dos espermatozóides. A cirurgia dura cerca de 30 minutos e pode ser feita em consultório. A volta às atividades habituais dá-se em 48 h. Atividade sexual sem desconforto em torno de 7 dias. Relações sexuais seguras, só após cerca de 20 ejaculações e realização de um exame do ejaculado onde se comprove a ausência de espermatozóides. Os riscos são muito pequenos e iguais aos inerentes a todo e qualquer procedimento cirúrgico: infecção, hemorragia, hematomas, dor pós-operatória, complicações da ferida operatória etc. A recanalização espontânea de um ou ambos os lados da vasectomia é muito rara, mas possível. É uma tentativa da natureza de refazer o caminho da fertilidade para a perpetuação da espécie. Assim, é aconselhável realizar um espermograma um ano após a cirurgia, por segurança. A vasectomia é um dos mais seguros métodos de controle da natalidade. É mais simples e menos arriscada do que a ligadura das trompas da mulher e tem outras incontestáveis vantagens como não requerer internação nem anestesia espinhal ou geral. A vasectomia é reversível. A cirurgia para a reversão(recanalização dos condutos deferentes) é mais complicada e trabalhosa que a vasectomia. A reversibilidade é tão mais exeqüível e provável quanto mais cedo se promove a recanalização dos cabos dos condutos deferentes. Os melhores resultados ocorrem se a recanalização for feita até cinco anos após a realização da vasectomia. É muito mais fácil fazer do que desfazer, embora seja possível a reversão e a possibilidade de novamente ser fértil. A reversão da vasectomia não garante o retorno da fertilidade em todos os pacientes, por motivos apenas parcialmente compreendidos pela Medicina. Aconselho uma demorada e detalhada reflexão antes da escolha pela vasectomia que, embora reversível, deve ser considerada como método definitivo de esterilização. Cálide Soares Gomes Urologista Março/2000 *O autor é Professor de Urologia da UFMA e urologista do Urocentro.

Fonte: Dr. Cálide José Soares
17/03/2006 - 20:27
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